terça-feira, 14 de abril de 2009

Corpos

- Cena 1. Chegando em frente à cachoeira, o moço animado com a beleza do lugar tira as roupas sem cerimônias e pula na água. Continua nu durante todo o passeio, sem se preocupar com as outras pessoas ao redor.

- Cena 2. Em cima da mesa o casal faz um strip na frente de toda a festa, se esfregam, rebolam e terminam só com a roupa de baixo. A moça na fila do banheiro, oferece os seios para entrar primeiro, antes das 7 pessoas que esperam a mais de 20 minutos. Mais tarde, com os pedidos para tirar novamente a roupa, ela o faz com sensualidade, aguardando com falsa modéstia e despretensão os elogios ao belo corpo.

Olhando rápido as duas situações parecem dizer de um mesmo movimento, de uma mesma atitude com relação ao corpo. Nos dois casos as pessoas dão a entender que se relacionam bem com o corpo, sem pudores. Mas eu tendo a achar que não é a mesma coisa. Na cena 1 o movimento é de dentro pra fora: a aceitação do corpo em primeiro lugar, sendo extravasada na sua nudez descompromissada, natural, não hipócrita, dessexualizada. O corpo é belo em si e não há mal nenhum que apareça descoberto.

Na cena 2 é o contrário: a incerteza quanto ao corpo (ou a necessidade egóica de sua constante afirmação) aparece na nudez como busca de aprovação. O corpo é belo se nu e não é uma nudez descompromissada: ele está nu para os outros primeiro, para que estes outros afirmem o corpo, a beleza do corpo. É um corpo sexual e um sexual a meu ver não saudável. A relação que faço é de carência-afirmação-corpo-sexual, por isso não saudável. Ah, tá difícil explicar. É um sexual que não visa ao sexual e sim a uma carência afetiva: olha, como a única forma de você me ver é com um apelo sexual, eu te dou um pouco disso, nem que seja no nível do olhar e você aplaca a minha necessidade de me sentir bem. Cada um ganha um pouco nessa barganha, se satisfazendo pelos meios 'errados' e de forma incompleta.

Eu não vejo problemas em corpos nus, em corpos sexuais ou em carências em busca de satisfação. Só que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

É que eu odeio pseudo-libertário.