Eu não acho mais graça nenhuma nesse ruído constante
que fazem as falas das pessoas falando, cochichando e reclamando,
que eles querem mesmo é reclamar,
como uma risada na minha orelha, ou como uma abelha, ou qualquer outra coisa pentelha,
sobre as vidas alheias, ou como elas são feias,
ou como estão cheias de tanto esconderem segredos
que todo mundo já sabe, ou se não sabe desconfia
Eu não vou mais ficar ouvindo distraído eles falarem deles e do que eles fariam se fosse com eles
e o que eles não fazem de jeito nenhum, como se interessasse a qualquer um.
Eles são: as pessoas, todas as pessoas, fora os mudos.
Se eles querem falar de mim, de nós, de nós dois,
falem longe da minha janela por favor, se for para falar do meu amor.
Eu agora só escuto rádio, vitrola, gravador.
Campainha, telefone, secretária eletrônica eu não ouço nunca mais, pelo menos por enquanto.
Quem quiser papo comigo tem que calar a boca enquanto eu fecho o bico.
E estamos conversados.
(Arnaldo Antunes)
domingo, 26 de julho de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
O Estrangeiro
A quem você ama mais, homem enigmático, me diga: seu pai, sua mãe, sua irmã ou seu irmão?
- Não tenho pai, nem mãe, nem irmã, nem irmão.
- Seus amigos?
- O senhir está utilizando uma palavra cujo sentido para mim permanece até hoje desconhecido.
- Sua pátria?
- Ignoro sob qual latitude está situada.
- A beleza?
- Eu a amaria com prazer, deusa e imortal.
- O ouro?
- Eu o odeio como o senhor odeia a Deus.
- Ei! O que é então que você ama, extraordinário estrangeiro?
- Amo as nuvens... as nuvens que passam... lá ... lá adiante... as maravilhosas nuvens!
(Charles Baudelaire)
- Não tenho pai, nem mãe, nem irmã, nem irmão.
- Seus amigos?
- O senhir está utilizando uma palavra cujo sentido para mim permanece até hoje desconhecido.
- Sua pátria?
- Ignoro sob qual latitude está situada.
- A beleza?
- Eu a amaria com prazer, deusa e imortal.
- O ouro?
- Eu o odeio como o senhor odeia a Deus.
- Ei! O que é então que você ama, extraordinário estrangeiro?
- Amo as nuvens... as nuvens que passam... lá ... lá adiante... as maravilhosas nuvens!
(Charles Baudelaire)
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